segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A arte de amar - Erich Fromm

Decidi para quem quer conhecer um pouco mais sobre mim, colocar coisas relacionadas a mim aqui, uma dessas coisas a começar é trechos deste livro maravilhoso, partes nas quais eu concordo de corpo e alma, e faço o possível e impossível pra transformar em realidade na minha vida.

Na sociedade capitalista contemporânea, o significado de igualdade transformou-se.
Por igualdade, faz-se referência à igualdade dos autômatos, dos homens que perderam sua individualidade. Igualdade, hoje significa “mesmice”, em vez de “unidade”.
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o amor amadurecido é união sob a condição de preservar a integridade própria, a própria individualidade. O amor é uma força ativa no homem; uma força que irrompe pelas paredes que separam o homem de seus
semelhantes, que o une aos outros; o amor leva-o a superar o sentimento de isolamento
e de separação, permitindo-lhe, porém, ser ele mesmo, reter sua integridade. No amor,
ocorre o paradoxo de que dois seres sejam um e, contudo, permaneçam dois.
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Diferencia ele os afetos entre ativos e passivos, “ações” e “paixões”. No exercício de um afeto ativo, o homem é livre, é o senhor de seu afeto; no exercício de
um afeto passivo, o homem é impelido, é objeto de motivações de que ele próprio não tem consciência[...]A inveja, o ciúme, a ambição, qualquer
espécie de cobiça são paixões; o amor é uma ação, a prática de um poder humano, que só pode ser exercido na liberdade e nunca como resultado de uma compulsão.
O amor é uma atividade, e não um afeto passivo; é um “erguimento” e não uma “queda”. De modo mais geral, o caráter ativo do amor pode ser descrito afirmando-se
que o amor, antes de tudo, consiste em dar, e não em receber. No próprio ato de dar, ponho à prova minha força, minha riqueza, meu poder. Essa experiência de elevada vitalidade e potência enche-me de alegria.[...]Dar é mais alegre do que receber, não por ser uma privação, mas porque, no ato de dar, encontra-se a expressão de minha vitalidade.
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A mais importante esfera de dar, entretanto, não é a das coisas materiais, mas está no reino especificamente humano. Que dá uma pessoa a outra? Dá de si mesma, do que tem de mais precioso, dá de sua vida. Isto não quer necessariamente dizer que sacrifique sua vida por outrem, mas que lhe dê daquilo que em si tem de vivo; dê-lhe de sua alegria, de seu interesse, de sua compreensão, de seu conhecimento, de seu humor, de
sua tristeza — de todas as expressões e manifestações daquilo que vive em si. Dando assim de sua vida, enriquece a outra pessoa, valoriza-lhe o sentimento de vitalidade ao valorizar o seu próprio sentimento de vitalidade. Não dá a fim de receber; dar é, em si
mesmo, requintada alegria. Mas, ao dar, não pode deixar de levar alguma coisa à vida da outra pessoa, e isso que é levado à vida reflete-se de volta no doador; ao dar verdadeiramente, não pode deixar de receber o que lhe é dado de retorno. Dar implica fazer da outra pessoa também um doador e ambos compartilham da alegria de haver trazido algo à vida. No ato de dar, algo nasce, e ambas as pessoas envolvidas são gratas
pela vida que para ambas nasceu. Com relação especificamente ao amor, isso significa: o amor é uma força que produz amor; impotência é a incapacidade de produzir amor.[...] Mas não é só no amor que dar significa receber. O mestre é ensinado por seus alunos, o ator é estimulado por sua audiência, o psicanalista é curado por seu cliente — contanto que não se tratem uns aos outros como objetos, mas se relacionem uns com os outros genuína e produtivamente.
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Amor é preocupação ativa pela vida e crescimento daquilo que amamos. Onde falta essa preocupação ativa não há amor.
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Amor é filho da liberdade, nunca da dominação.
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Respeitar uma pessoa não é possível sem conhecê-la; cuidado e responsabilidade seriam cegos se não fossem guiados pelo conhecimento. O conhecimento seria vazio se não fosse motivado pela preocupação. Há muitas camadas de conhecimento; o conhecimento que é um aspecto do amor é aquele que não fica na periferia, mas penetra até o âmago. Só é possível quando posso transcender a preocupação por mim mesmo e
ver a outra pessoa em seus próprios termos.
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No ato de amar, de dar-me, no ato de penetrar a outra
pessoa, encontro-me, descubro-me, descubro-nos a ambos, descubro o homem. A ardente aspiração de nos conhecermos e de conhecer nossos semelhantes encontrou expressão na sentença délfica: “Conhece-te a ti mesmo”. [...] O meio único de conhecimento completo está
no ato do amor: esse ato transcende o pensamento, transcende as palavras. É o mergulho ousado na experiência da união. Contudo, o conhecimento pelo pensamento, que é conhecimento psicológico, torna-se condição necessária para o pleno conhecimento no
ato do amor. Preciso conhecer-me, e à outra pessoa, objetivamente, a fim de poder ver sua realidade, ou melhor, de superar as ilusões, o retrato rracionalmente desfigurado que tenho dela. Só se conhecer objetivamente um ser humano poderei conhecê-lo em
sua essência última, no ato de amor.
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Se verdadeiramente amo alguém, então amo a todos, amo o mundo, amo a vida. Se posso dizer a outrem. “Eu te
amo”, devo ser capaz de dizer: “Amo em ti a todos, através de ti amo o mundo, amo-me a mim mesmo em ti”.
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O amor erótico, se é amor, tem uma premissa: que eu ame da essência de meu ser e experimente a outra pessoa na essência do seu ser[...] Deixa-se de ver um fator importante no amor erótico, o da vontade. Amar alguém não é apenas um sentimento forte: é uma decisão, um julgamento, uma promessa. Se o amor apenas
fosse um sentimento, não haveria base para a promessa de amar-se um ao outro para sempre. O sentimento vem e pode irise. Como posso julgar que ficará para sempre, se meu ato não envolve julgamento e decisão?
Levando essas opiniões em conta, pode-se chegar à posição de que o amor é exclusivamente um ato de vontade e entrega[...]Somos todos Um — e contudo cada um de nós é uma entidade única, induplicável. Em nossas relações com os outros o mesmo paradoxo se repete. Por sermos todos um, podemos amar a todos do mesmo modo, no sentido do amor fraterno. Mas, por sermos todos também diferentes, o amor erótico requer certos elementos específicos, altamente individuais, que existem entre certas pessoas, mas não
entre todas.
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O amor a Deus é uma experiência intensamente sentida de
unidade, inseparavelmente ligada à expressão desse amor no próprio ato de viver.
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Ser amado e amar requerem coragem, a coragem de
julgar certos valores como sendo de extrema preocupação, de saltar a frente e apostar
tudo nesses valores.
Sua espécie de coragem é a coragem do niilismo. Enraíza-se numa atitude destrutiva para com a vida, na predisposição a lançar fora a vida por se ser incapaz de amá-la. A coragem do desespero é o contrário da
coragem do amor, assim como a fé no poder é o contrário da fé na vida.
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Deus e eu: somos um. Conhecendo Deus, tomo-o para
mim. Amando a Deus, penetro-o
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Quando se tem conscientemente medo de não ser amado, o medo real, embora habitualmente inconsciente, é o de amar.

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